Município discute inteligência artificial na gestão pública, monitoramento urbano e turismo inteligente durante a maior edição do evento na América do Sul
Ubatuba integrou, entre os dias 8 e 11 de junho, a lista de municípios brasileiros presentes na Web Summit Rio 2026, um dos maiores eventos de tecnologia, empreendedorismo e inovação do mundo. A cidade foi representada pelo secretário de Tecnologia da Informação, Yuri Mesquita, e pelo assessor de Planejamento Econômico, Pedro Jonatas, que participaram da programação em busca de soluções capazes de modernizar os serviços públicos oferecidos à população e atrair novos investimentos para o município.
Reconhecida como a principal edição da Web Summit na América do Sul, a conferência reuniu startups, investidores, grandes empresas, pesquisadores, gestores públicos e especialistas de diferentes países para debater temas como inteligência artificial, cidades inteligentes, sustentabilidade, governo digital, segurança cibernética e desenvolvimento econômico. O evento costuma reunir milhares de participantes ao longo de poucos dias, funcionando como uma espécie de vitrine concentrada de tendências que, em condições normais, levariam meses para chegar ao conhecimento de gestores públicos de cidades menores.
Para uma cidade do porte de Ubatuba, com forte dependência do turismo e desafios específicos de infraestrutura ligados à sazonalidade, a presença no evento representou uma oportunidade de observar de perto experiências já testadas em outras cidades do mundo. O contraste entre o tamanho da delegação de Ubatuba e o porte do evento, que reúne desde grandes metrópoles até companhias multinacionais de tecnologia, ilustra o esforço da atual gestão em aproximar um município de médio porte de discussões que, historicamente, ficavam restritas a capitais e regiões metropolitanas.
Quais soluções o município está avaliando
Segundo a prefeitura, entre as iniciativas que podem ser adaptadas à realidade local estão plataformas digitais de atendimento ao cidadão, sistemas inteligentes de monitoramento urbano, inteligência artificial aplicada à gestão pública, ferramentas de análise de dados para planejamento estratégico, soluções de mobilidade, turismo inteligente, conectividade em espaços públicos e tecnologias voltadas à preservação ambiental. A lista abrange praticamente todas as áreas sensíveis da administração municipal, da segurança à proteção do meio ambiente que sustenta o principal atrativo econômico da cidade.
Essa amplitude de temas reflete um movimento mais amplo entre prefeituras de cidades turísticas no Brasil, que vêm buscando na tecnologia uma forma de lidar com problemas recorrentes, como a variação brusca de demanda por serviços públicos entre baixa e alta temporada. Em uma cidade como Ubatuba, cuja população pode multiplicar-se em determinados períodos do ano, ferramentas de análise de dados e monitoramento urbano tendem a ganhar relevância prática, já que ajudam a antecipar picos de uso em áreas como trânsito, coleta de resíduos e atendimento ao público.
O secretário de Tecnologia da Informação, Yuri Mesquita, afirmou que a imersão no evento permite conhecer experiências que já estão em funcionamento em diferentes cidades do mundo antes de decidir quais delas fazem sentido para a realidade de Ubatuba. Segundo ele, o objetivo da participação é acompanhar tendências e tecnologias que possam tornar os serviços públicos mais eficientes, ampliar a transformação digital da gestão municipal e aproximar o município das soluções que vêm moldando o conceito de cidades inteligentes ao redor do mundo.
O papel da inteligência artificial na gestão pública local
Entre os temas discutidos durante a conferência, a aplicação de inteligência artificial à gestão pública aparece como um dos mais recorrentes em eventos do gênero, e não é diferente na avaliação feita pela comitiva de Ubatuba. Sistemas desse tipo costumam ser usados por administrações municipais para tarefas como triagem de atendimentos, organização de filas em serviços públicos e cruzamento de bases de dados para identificar famílias ou regiões prioritárias em programas sociais, sem que isso substitua a decisão final de servidores e gestores responsáveis por cada área.
A cautela em relação ao tema também esteve presente nas conversas observadas pela delegação do município, já que a adoção de inteligência artificial na esfera pública costuma levantar questões sobre transparência, proteção de dados pessoais dos cidadãos e necessidade de supervisão humana sobre decisões automatizadas. Para uma prefeitura de médio porte, iniciar esse processo de forma gradual, aproveitando soluções já testadas em outras cidades, tende a ser um caminho mais seguro do que desenvolver sistemas próprios do zero.
Networking como parte da estratégia de desenvolvimento
Além do acesso a novas tecnologias, a programação da Web Summit Rio também proporcionou aos representantes de Ubatuba momentos de aproximação com empresas, startups e investidores presentes no evento, abrindo espaço para eventuais parcerias institucionais no futuro. Esse tipo de articulação é visto pela prefeitura como parte de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento econômico, que não se limita à adoção de novas ferramentas tecnológicas dentro da própria administração pública.
O assessor de Planejamento Econômico, Pedro Jonatas, destacou que a participação no evento também fortalece a estratégia de desenvolvimento do município, na medida em que ajuda a identificar conexões e oportunidades capazes de gerar inovação, investimentos e novos negócios para a cidade. Segundo ele, a tecnologia é vista pela gestão municipal como uma ferramenta para impulsionar o desenvolvimento econômico local, fortalecer o turismo, melhorar o planejamento urbano e criar soluções mais sustentáveis para os desafios enfrentados pela cidade, como a pressão sazonal sobre a infraestrutura durante a alta temporada.
Esse tipo de conexão institucional costuma amadurecer ao longo de meses, já que parcerias entre poder público e empresas de tecnologia normalmente exigem estudos de viabilidade, adequação a normas de licitação e, em muitos casos, aprovação orçamentária específica na Câmara Municipal. Por isso, gestores costumam tratar eventos como a Web Summit menos como um espaço de fechamento imediato de contratos e mais como uma etapa inicial de prospecção, na qual contatos e referências são coletados para avaliação posterior pelas equipes técnicas de cada secretaria.
Os próximos passos depois do evento
Passado o evento, o desafio para a gestão municipal será transformar contatos e referências internacionais em projetos concretos, com cronograma e financiamento definidos, algo que costuma levar mais tempo do que a própria participação em conferências desse tipo. A experiência de outras cidades brasileiras que já passaram por processos semelhantes mostra que a etapa mais demorada costuma ser justamente a de estruturação jurídica e orçamentária dos projetos, e não a identificação das soluções tecnológicas em si.
Ainda assim, a presença de Ubatuba na Web Summit Rio sinaliza que o tema da transformação digital passou a ocupar um espaço mais estruturado na agenda de planejamento da prefeitura, ao lado de pautas mais tradicionais como saneamento, segurança pública e turismo. Para moradores e visitantes, o efeito prático dessas discussões só deve aparecer de forma gradual, à medida que eventuais projetos avancem das fases de estudo e prospecção para a implementação efetiva de novos serviços digitais na cidade.
Fontes consultadas: Prefeitura Municipal de Ubatuba
