O desenvolvimento acelerado das cidades brasileiras impôs um desafio que Marcello José Abbud, referência em tecnologias inovadoras para tratamento de resíduos sólidos urbanos, considera central para o futuro do país: conciliar a expansão urbana e econômica com a sustentabilidade ambiental, tendo o saneamento como elo entre essas duas dimensões. Por muito tempo tratadas como agendas separadas, o desenvolvimento e a preservação revelam-se, na prática, faces de um mesmo projeto de futuro para os municípios.
A gestão adequada dos resíduos sólidos ocupa posição estratégica nessa convergência, pois conecta diretamente qualidade de vida, atividade econômica e proteção dos recursos naturais.
Por que saneamento e desenvolvimento caminham juntos?
A relação entre saneamento e desenvolvimento é de mão dupla. Cidades sem saneamento adequado enfrentam custos de saúde, perda de produtividade e degradação ambiental que freiam seu próprio crescimento. Por outro lado, o desenvolvimento econômico gera os recursos e a capacidade institucional necessários para investir em infraestrutura sanitária. Romper o ciclo de pobreza e degradação exige atuar simultaneamente nas duas frentes.
Conforme detalha Marcello José Abbud, a gestão de resíduos exemplifica essa interdependência de forma clara. Um sistema eficiente protege a saúde pública, valoriza o território, gera empregos nas cadeias de reciclagem e tratamento e ainda produz insumos e energia, demonstrando que o investimento ambiental é, ao mesmo tempo, investimento em desenvolvimento.
Os objetivos de desenvolvimento sustentável e os resíduos
A agenda global de desenvolvimento sustentável estabelece metas que conectam diretamente a gestão de resíduos a objetivos mais amplos de bem-estar. O acesso ao saneamento, a produção e o consumo responsáveis, as cidades sustentáveis e a ação climática são compromissos internacionais que dependem, em boa medida, de como cada sociedade lida com seus resíduos. O Brasil, signatário dessa agenda, assumiu metas que exigem transformação no setor.
Na concepção de Marcello José Abbud, esses compromissos oferecem aos municípios um referencial para planejar suas políticas, alinhando ações locais a parâmetros reconhecidos internacionalmente. Mais do que retórica, a vinculação a essa agenda facilita o acesso a financiamentos e parcerias que cada vez mais condicionam recursos ao alinhamento com objetivos de sustentabilidade.

O desenvolvimento local impulsionado pela gestão de resíduos
A modernização da gestão de resíduos pode atuar como vetor de desenvolvimento econômico local. A implantação de usinas de triagem, unidades de compostagem e instalações de tratamento gera empregos diretos e indiretos, movimenta a economia regional e cria cadeias produtivas em torno dos materiais recuperados. Em municípios menores, esse efeito pode ser proporcionalmente expressivo na geração de renda e ocupação.
Em complemento, a regularização ambiental abre portas que a irregularidade mantinha fechadas. Como observa Marcello José Abbud, municípios ambientalmente regulares acessam financiamentos, atraem investimentos e fortalecem sua imagem perante empresas que consideram critérios socioambientais em suas decisões de localização, transformando a adequação ambiental em diferencial competitivo para o desenvolvimento territorial.
Planejamento de longo prazo como condição para a convergência
Conciliar saneamento e desenvolvimento sustentável exige um horizonte que ultrapasse os ciclos administrativos. Infraestrutura ambiental demanda anos para planejamento, licenciamento e implantação, e seus benefícios se acumulam ao longo de décadas. Gestões orientadas apenas pelo curto prazo tendem a postergar esses investimentos, transferindo o problema e seu custo crescente para o futuro.
O que esse percurso demonstra é que a convergência entre as agendas depende de planejamento estruturado e de continuidade. Para Marcello José Abbud, municípios que tratam a gestão de resíduos como política de Estado, e não como iniciativa de uma única gestão, constroem as bases para um desenvolvimento que não compromete os recursos naturais dos quais a própria prosperidade futura dependerá.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
