Tiago Oliva Schietti costuma explicar que quem compara consórcio e financiamento apenas pelo rótulo “sem juros” não compreende de onde realmente vem essa vantagem de custo e acaba repetindo a informação sem saber explicá-la corretamente. Entender o motivo por trás dessa diferença ajuda a avaliar com mais precisão quando o consórcio realmente compensa. A ausência de juros não é um favor da administradora, mas uma consequência direta da forma como o consórcio é estruturado desde o início.
Por que o consórcio não cobra juros como o financiamento?
O financiamento existe porque o banco empresta dinheiro que ainda não pertence ao comprador e cobra juros justamente por disponibilizar esse valor antes da hora. O consórcio funciona de outra maneira: o dinheiro usado para contemplar cada participante já vem da contribuição dos próprios integrantes do grupo, reunida no fundo comum mês após mês.
Como não existe empréstimo bancário envolvido, não há também o custo do dinheiro emprestado, que é justamente o que os juros remuneram. Tiago Oliva Schietti sustenta que o consórcio troca a rapidez do financiamento pela ausência desse custo, mas exige que o consorciado espere sua vez de ser contemplado.
Essa diferença estrutural também explica por que o consórcio não avalia o risco de crédito da mesma forma que um banco antes de aprovar um financiamento: como o dinheiro contemplado já pertence ao grupo, e não a um terceiro emprestador, a análise se concentra mais na capacidade de manter os pagamentos futuros do que no histórico de crédito completo do consorciado.
Isso significa que o consórcio é sempre mais barato?
Não necessariamente, apesar da ausência de juros. Existem outros custos embutidos na parcela, como a taxa de administração e o fundo de reserva, que precisam entrar na conta total antes de qualquer comparação séria com o financiamento equivalente.
Tiago Oliva Schietti avalia que a vantagem de custo do consórcio costuma aparecer com mais clareza em cenários de juros altos, quando o financiamento fica proporcionalmente mais caro, enquanto o custo do consórcio permanece relativamente estável ao longo do tempo.

Em cenários de juros baixos, essa distância entre as duas modalidades diminui, o que torna a comparação de custo total ainda mais importante antes de descartar qualquer uma das opções apenas pela reputação de ser “sem juros” ou “mais rápida”.
De onde vem o lucro da administradora, já que não há juros?
A remuneração da administradora vem exclusivamente da taxa de administração, cobrada por organizar o grupo, gerir as assembleias, processar a documentação dos contemplados e garantir o cumprimento das regras que a lei exige do setor. Esse serviço tem custo próprio, independentemente de o produto final cobrar juros ou não.
Por isso, comparar consórcio e financiamento exige olhar para o custo total de cada modalidade, e não apenas para a presença ou ausência de juros isoladamente, já que ambos têm formas diferentes de remunerar quem organiza o crédito.
O que isso muda na prática para o consumidor?
Entender essa lógica muda a forma como o consumidor avalia qualquer oferta de consórcio, deixando de olhar apenas para a ausência de juros como garantia automática de economia. Tiago Oliva Schietti reforça que o que realmente importa é somar todos os custos previstos em contrato e comparar com as alternativas disponíveis.
Essa comparação mais completa costuma revelar diferenças relevantes entre administradoras que, à primeira vista, pareciam oferecer condições parecidas apenas por não cobrarem juros da mesma forma que um banco tradicional. Somar taxa de administração, fundo de reserva e prazo médio de contemplação continua sendo o caminho mais confiável para saber, de fato, qual opção custa menos no seu caso específico.
