Paulo Roberto Gomes Fernandes, presidente da Liderroll, esteve em Houston em abril de 2012 para uma agenda estratégica de reuniões internacionais voltadas à inserção da engenharia brasileira no mercado do Oriente Médio. À época, o executivo chegou aos Estados Unidos antes da realização da OTC, aproveitando a concentração de decisores globais do setor de óleo e gás para avançar em negociações que já vinham sendo conduzidas havia alguns meses.
A principal dessas agendas ocorreu no escritório da Liderroll em Houston, onde Paulo Roberto Gomes Fernandes recebeu dois representantes árabes ligados ao setor de refino do Kuwait. Aquela foi a segunda reunião formal entre as partes, sinalizando que o diálogo já se encontrava em estágio mais avançado, com discussões técnicas e operacionais bastante objetivas sobre a adoção de soluções desenvolvidas no Brasil.
Desafios históricos das refinarias em regiões desérticas
Naquele período, um dos temas centrais das conversas foi um problema recorrente enfrentado por refinarias instaladas em regiões de clima extremo, como ocorre em grande parte do Oriente Médio. As variações bruscas de temperatura entre o dia e a noite provocam níveis elevados de dilatação e contração nas linhas de tubulação, submetendo os sistemas de suportação a esforços constantes.
Os roletes metálicos tradicionais, amplamente utilizados até então, apresentavam limitações importantes nessas condições. O atrito elevado, aliado à rigidez do aço, favorecia o surgimento de amassamentos nas linhas, aumentando o risco de falhas estruturais, vazamentos e até rompimentos. Além dos riscos operacionais, os custos de manutenção e substituição desses sistemas eram considerados extremamente elevados pelas operadoras da região.
A tecnologia brasileira como alternativa técnica
Foi nesse contexto que os roletes fabricados em polímeros especiais desenvolvidos pela Liderroll passaram a despertar interesse. A tecnologia brasileira, já aplicada em projetos complexos no Brasil e em outros países, apresentava características que respondiam diretamente às demandas das refinarias kuwaitianas, como maior capacidade de absorção de movimentos térmicos, redução significativa de atrito e maior durabilidade em ambientes agressivos.

Durante as reuniões em Houston, Paulo Roberto Gomes Fernandes apresentou detalhes técnicos da solução, explicando como o uso de materiais poliméricos de alta performance permitia minimizar tensões mecânicas sobre as tubulações. A proposta incluía não apenas a substituição dos roletes tradicionais, mas uma mudança conceitual na forma de suportação das linhas, com impacto direto na segurança operacional e na redução de custos ao longo do ciclo de vida dos ativos.
Avanço das negociações e próximos passos
Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca que as conversas foram consideradas positivas por ambas as partes. Naquele momento, ficou alinhado que o passo seguinte seria uma visita técnica ao Kuwait, com a participação de equipes da Liderroll baseadas no Brasil, para aprofundar análises de campo, avaliar condições específicas das refinarias e discutir modelos de fornecimento e adaptação da tecnologia às normas locais.
Essa possível viagem, planejada para ocorrer após a OTC daquele ano, refletia um movimento mais amplo da Liderroll na década de 2010, quando a empresa passou a intensificar sua presença internacional e a buscar mercados onde soluções construtivas inovadoras fossem capazes de resolver problemas históricos da indústria de óleo e gás.
Um movimento alinhado à estratégia internacional da Liderroll
Visto em retrospectiva, esse episódio de 2012 ilustra um momento relevante da trajetória internacional da Liderroll. Ainda em um estágio inicial de expansão global, a empresa brasileira já demonstrava capacidade de dialogar em alto nível com operadores internacionais e de oferecer soluções tecnicamente maduras para desafios complexos.
Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, aquelas negociações reforçavam uma convicção que vinha sendo construída ao longo de sua trajetória empresarial: a de que a engenharia brasileira, quando aplicada com rigor técnico e visão estratégica, podia competir em igualdade de condições com soluções tradicionais adotadas nos principais polos industriais do mundo. A aproximação com o mercado kuwaitiano, naquele contexto, representava mais do que uma oportunidade comercial pontual, mas um passo consistente na consolidação da Liderroll como fornecedora global de tecnologias para sistemas de dutos e tubulações em ambientes críticos.
Autor: Anastasia Petrova
